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26 de junho de 2013

O que é ciência?

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O que é ciência? Definições, Delimitações, o fazer Científico



Evolucionismo em Cavernas

Fonte: ©  | Dreamstime.com

Evolucionismo em cavernas


                   O isolamento e a estabilidade das comunidades das cavernas fazem com que as mesmas sejam laboratórios onde pode ser estudada a teoria evolutiva. De acordo com o professor Rodrigo Lopes Ferreira da Universidade Federal de Lavras, as cavernas calcáreas funcionam como “captadoras” de materiais do ambiente externo. Desta forma, as informações “capturadas” por uma caverna podem conservar-se ao longo do tempo, constituindo registros importantes sobre o passado de uma região.

                  Estudos de depósitos sedimentares em cavernas auxiliam na confirmação da teoria da evolução uma vez que podem especular a respeito da fauna que habitava a região há milhares de anos, bem como das características ambientais as quais essas espécies estavam associadas. Em um estudo realizado na gruta do túnel de Santana, pelo professor Cástor Cartelle, da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, depósitos encontrados na caverna sugeriram uma sucessão de períodos climáticos ao longo do tempo. Além da detecção de três espécies extintas do período Pleistoceno, o período quaternário que ocorreram entre 1,8 milhão a 11.000 anos atrás.
        
Os depósitos trabalhados por Rodrigo Ferreira também evidenciam a existência de uma série de eventos distintos, impostos por características associadas à topografia e ao clima de uma determinada região, dependentes da morfologia de cada caverna. Neste estudo não foram encontrados fósseis de grandes animais que existiram na América do Sul, como a preguiça gigante e mastodontes que faziam parte da megafauna da região. Mas auxiliou no estudo da evolução identificando algumas espécies encontradas constituindo registros históricos de animais que atualmente não ocorrem na área.

Autor: Francisco Rasteiro
Além disso, nas cavernas, pode-se encontrar grupos de espécies únicas, chamados troglóbios, restritas ao ambiente de cavernas. Os troglóbios têm especializações morfológicas como olhos vestigiais ou redução dos pigmentos. Tem também, especializações fisiológicas ou comportamentais que testemunham para a teoria da evolução através da indicação de ancestralidade comum.

            Pode-se constatar uma fauna de espécies troglóbias em cavernas sem ou com pouco uso antrópico, como ocorreu no estudo “Impactos naturais e humanos nas comunidades de invertebrados em cavernas do Brasil” por Rodrigo Ferreira e Lília Horta. Segundo os autores, os troglóbios ocorrem devido a especializações que eles adquiriram durante o isolamento genético, por separação física de populações, evento chamado de alopatria ou ter ocorrido por outro mecanismo de separação. Estas especializações provavelmente envolveram respostas as pressões da caverna, como diria Lamarck, ou por ausência de pressões seletivas encontradas no ambiente externo a caverna, seguindo o pressuposto de Darwin.
             
            Outro fato interessante constatado no mesmo estudo citado acima é que a evolução geológica das cavernas pode não seguir paralela à evolução biológica causando certamente, em diferentes momentos, mudanças nos sistemas biológicos. Como a não ocorrência de troglóbios devido a presença de fendas que permitem a entrada de luz do sol na caverna Janelão. Outra caverna próxima, com geologia semelhante, porém sem fendas, caverna Olhos D’água, contém troglóbios.

              Ainda neste estudo, realizado por Rodrigo Ferreira e Lília Horta, as diferenças da fauna em geral encontradas em cavernas são provavelmente por causa do processo de formação geológica e da distância entre as cavernas. Cavernas com formações geológicas semelhantes e mais próximas tendem a possuir os mesmos tipos de organismos, enquanto cavernas com formações geológicas diferentes e mais distantes possuem organismos diferentes. Sendo que algumas comunidades possuem distribuição restrita.
             
             Além dessa contribuição para estudos evolucionistas, as cavernas fazem parte da dinâmica do ecossistema da sua área de ocorrência uma vez que há uma conexão e coexistência de organismos que vivem fora e dentro das cavernas.

              Infelizmente, as cavernas além de sofrer impactos naturais (geológicos) sofrem uma série de impactos pelo homem, como pisoteamento, elevada visitação e utilização de áreas das entradas para a pecuária. É importante preservar as cavernas porque a sua fauna, fauna da região e os estudos de ambientes antigos dependem da manutenção integral desse ecossistema.

               Estudos de cavernas devem ter o cuidado para analisar graus distintos de interferência, como temperatura externa, ocorrência ou não de uso antrópico e diferentes recursos capturados em cada sistema. Além disso, estudos devem buscar a melhor adaptação à modelos teóricos, a fim de caracterizar efetivamente as áreas pesquisadas.

              Ainda é necessário que muitos estudos sejam financiados e desenvolvidos nesta área de conhecimento, a fim de desvendar o sistema evolucionista e colaborar com a preservação e existência da integração da complexidade biológica fora e dentro das cavernas.

Referência Bibliográfica

CARTELLE, C.; BRANT, V.; PILÓ, L. B. A Gruta do Túnel de Santana (BA): morfogênese e paleontologia. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE PALEONTOLOGIA, 11, 1989. Anais... Curitiba, p. 122-123. 1989.

* FERREIRA, R. L. Depósitos sedimentares em cavernas: registros de vida passada. Bios, v. 11, n. 11, p. 39-52, 2003.


FERREIRA, R. L. and HORTA, L. C. S. Natural and human impacts on invertebrate communities in Brazilian caves. Rev. Bras. Biol., Feb. 2001, v. 61, n. 1, p.7-17.


Segue abaixo, Podcast sobre Evolucionismo em Cavernas publicado em 2006 na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Autores: Alexandre Pacheco; Daniela Lemos Ferreira; Flaviane de Oliveira e Graziela Tomaz. Orientador: Henrique Paprocki

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